2 de abril de 2010

*Mariana Alcoforado(1669-1723): Freira Portuguesa que escreveu cartas direcionadas ao sr.cavalheiro De Chamilly ( oficial francês que servira em terras lusas ). São a súmula de um romance malfadado, e mostra a total integridade ao amor da parte dela.*

- Ontem e hoje eu acordei dando surtos de Mariana Alcoforado, romântico, não ?
Com o celular vibrando e tocando '' La posada de los muertos - Mägo de Oz '' bem ao lado, fui levantar de verdade pelas 11h 30 min. Com vontade de ter ao lado um certo alguém dono de mim, e com muita vontade de ter aquela sensação de tremedeira e coração disparado com os beijos de quem ama.
Mas enfim, Mariana Alcoforado seria meu par perfeito nessas horas, ah! Como teríamos orgulho uma da outra.     *-*

   '' As minhas dores já não podem ter consolo e a lembrança das alegrias passadas enchem-me de desespero. Pois quê ? Serão então inúteis todos os meus desejos? E não hei-de tornar a ver-te no meu quarto com todo o ardor e impetuosidade que me manifestavas ?


Mas, ai de mim! Estou enganada! Por demais sei eu como todas as emoções que me enchiam o pensamento e o coração em ti era determinadas apenas por alguns prazeres e acabavam tão depressa como eles! 


Seria preciso que nesses momentos, demasiado felizes, eu apelasse para a razão a fim de moderar o terrível excesso das minha delícias e me anunciar tudo o que agora estou a sofrer...Mas eu entregava-me inteiramente a ti e não estava em condições de pensar naquilo que teria podido envenenar a minha alegria e impedir-me de  gozar plenamente dos testemunhos ardentes da tua paixão. Era-me demasiado agradável sentir que estava contigo para poder pensar que um dia te afastarias de mim.


Lembro-me, no entanto, de algumas vezes te haver dito que me farias infeliz.
Mas esses receios em breve se dissipavam, e eu toda me comprazia em tos sacrificar e em me abandonar ao encantamento e à má-fé dos teus protestos.
Bem claramente vejo qual seria o remédio para todos os meus males e em breve me libertaria deles se deixasse de te amar. ''

Fragmento da segunda carta. 



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