Como uma tarde comum de domingo, eu estava sem nada para fazer. Alan insensivelmente não calava a boca um segundo sequer, e tediosamente cansada do jeito que me encontrava, cochilava no meio de tantas histórias e observações que ele fazia. Foi quando irritado com a minha clara falta de atenção, resolveu me largar sozinha e indefesa na cama onde estávamos deitados e ir para qualquer lugar da casa em que pudesse ficar longe de mim até o momento que enfim eu despertasse. Ele, andando pela casa, achou uma pequena caixa na qual eu guardava coisas antigas e secretas. Achando um apito preto de listras verdes, gritou de onde estava, me perguntando '' Carooliiina, essas coisas aqui ainda pressstam ?! ''
'' Sim '' eu respondi, sem me dar conta do que ele exatamente havia me perguntado. Curioso, ele apitou aquele apito cheio de poeira e nojento, fazendo assim com que todas as coisas que estavam ao seu redor se apagassem, deixando tudo em branco como uma folha não rabiscada.
Desesperado, ele começou a tentar andar por um monte de nada, o que o fez chegar em exatamente lugar nenhum. Chegando a conclusão de que não conseguiria sair dali tão cedo, sentou no que parecia branco ( e era ) e apoiou a cabeça em uma das mãos, como fazem pensadores ou pseudo pensadores quando querem que as pessoas pensem que estão pensando.
Ali, no meio onde estava, as coisas começaram a se auto-desenhar ( e se auto-apagar também, quando algo saía torto ).
Alan, em seu mais ato heróico, saiu correndo a procura de algo que o tirasse daquela situação. Correu, correu e olhava para trás quando achava que devia olhar para trás, em uma dessas, virando novamente sua cabeça para frente, um homem lhe parou e lhe perguntou '' Do you come from de land down under
Where womem glow and men plunder ? ''
Por cinco segundos, Alan ficou parado, estático, como se pudesse cair ali mesmo. No sexto segundo ele riu, no oitavo segundo correu como nunca correu antes. Já ia longe quando ouviu um fraco eco da voz do homem gritando '' Can't you hear, can't you hear the thunder ?
You better run, you better take cover. ''
No meio do caminho, deparou-se com algo que literalmente não esperava. Uma aranha sanguinolenta de mais de três metros de altura que estava sedenta por cada linda parte que o corpo de Alan possuía!
Enfrentando seu medo incurável de aranhas, Alan Mussoi ( o terrível ) pegou areia do chão que pisava e jogou nos olhos daquela aberração, mas infelizmente acertou somente cinco olhos, restavam três para que ela pudesse mirá-lo e pegá-lo. Alan não desistiu, pois, mexendo em seu bolso encontrou uma pequena faquinha
que usava para tirar os fios soltos que geralmente ficavam em minhas roupas. Com a ótima mira que tinha, acertou em cheio uma parte que as aranhas consideram vital ( mas que não nos revelam, é claro ).
Orgulhoso de ter matado aquela aranha ninja ( sim, era ninja), Alan achou um bar onde quer que estivesse, o bar o fez lembrar de sua infância ( é ).
Ali ele entrou, e apesar de detestar cerveja, achou que deveria tomar uma, pediu ao atendente que lhe trouxesse uma Heineken, porque essa patrocinava a liga dos campeões.
Bebeu toda a garrafa daquele líquido sagrado e cantou '' we are the champions '' um típico clichê, há.
Distraído, nem percebeu que novamente tudo tornava a ficar branco novamente ( só conseguiu perceber quando a fichinha da garrafa desapareceu ).
Novamente em casa, Alan foi correndo me contar tudo o que aconteceu, me deixando surpresa por longos dois segundos. Dizendo que o amava, voltei a dormir.
Maluco esse Alan, não ?
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