O espelho da sala, pendurado na parede, não reflete quem realmente ele é.
Por trás de negros olhos de ilusão, a falta de algo se fazia presente e infeliz. Dor imensa e irremediável, um poço escuro e sem fim.
A noite chega, e com ela ...
E com ela mortas lembranças.
Uma cama de casal com espaço vago que mais parece um buraco negro. São lençóis listrados verdes que cobrem o corpo de quem tem a alma ferida, e ao lado, um travesseiro com perfume feminino sempre esfregado na superfície, para que não seja tal solidão tão solitária.
Seus sonhos são uma explícita fuga, ele reza para que velhas memórias não voltem para assombrar um alguém que se obriga a viver.
E no escuro, os gritos e sussurros abafados pelas paredes só querem dizer uma única coisa...
'' Volta, volta e não me deixa jamais! ''
São simples e tão difíceis os desejos e pedidos de uma voz que pegou costume no silêncio
'' Só volta de onde
a eternidade te trancou, grita
por mim que atrás de ti
eu sempre irei!
Volta para mim, meu
Amor sem fim! ''
Quando a claridade do dia rouba as incertezas da noite, as esperanças de algo não identificado tentam nadar contra uma correnteza de dor que ganha força a cada anoitecer.
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